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domingo, 29 de janeiro de 2017

De Trabalhador Ilegal nos EUA a Construtor de Sucesso: Alberto [Parte 1]

Bom dia Senhores do Milhão. A Luta Continua!


Atenção: Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

...
Alberto era uma pessoa simples.

Com pouco estudo e muitos sonhos, aos 20 e poucos anos resolveu se aventurar e na febre do trabalho nos Estados Unidos, não teve dúvidas: Ele iria trabalhar ilegalmente nos Estados Unidos.

Com o pouco dinheiro que tinha, conseguiu realizar o pagamento aos ditos ‘coiotes’ (pessoas que recebem dinheiro para levar pessoas ilegalmente aos Estados Unidos), combinando o restante do pagamento para quando já estivesse trabalhando na terra do Tio Sam.

Após uma travessia muito difícil pelo deserto, após passar por situações sub-humanas desde a chegada no México, ele finalmente conseguiu chegar nos Estados Unidos, sendo um dos poucos do grupo a conseguir êxito.

Durante alguns anos, trabalhou em várias funções: Lavador de pratos em restaurantes, ajudante de marcenaria entre outros.

A profissão que mais lhe rendeu dinheiro foi a dura e pesada área da Construção Civil, onde chegou a ganhar algo em torno de $ 2.000,00 a $ 3.500,00 (dólares) mensais.

Alberto teve maior facilidade na área de construção, por ser a mesma função que anteriormente desempenhava no Brasil.

Cabe uma nota aqui: Não, caríssimo leitor, não pense que foi algo fácil e que trabalhar ilegalmente nos Estados Unidos resolverá todos os seus problemas.

Alberto passou por alguns casos humilhantes: O receio de sair na rua para não ser preso e deportado, o tratamento cruel e humilhante dado aos brasileiros ilegais, e principalmente, em alguns locais onde trabalhou e simplesmente não recebeu o salário combinado. Sendo ilegal, alguns comerciantes e empresários exploravam trabalhadores nesta situação, sabendo que eles não poderiam procurar a justiça, nem mesmo a polícia, para não serem deportados.

Mesmo com todos estes desafios, Alberto conseguiu juntar um belíssimo ‘pé de meia’, ou seja, poupou um valor considerável durante cerca de 8 anos nos Estados Unidos e resolveu voltar ao Brasil, para aplicar todo o montante adquirido nestes longos anos.

Inicialmente, realizou a compra de um lote, e construiu as suas primeiras casas, na cidade onde morava antes da grande aventura.

Por ser pedreiro, coordenou as suas próprias obras, as primeiras sendo casas simples, sem documentação, sem venda financiada, mas conseguiu regularizar tudo ao final e obteve êxito nas suas primeiras vendas, tendo um lucro considerável.

Iniciou a compra de mais lotes, e começou a construir mais casas simultaneamente, ainda tendo capital suficiente para coordenar todas as obras, e sabendo que muitas delas já seriam vendidas ainda antes de ficarem prontas. Era o auge da Construção Civil.

Contribuiu para isto o crédito farto, com a Caixa Econômica Federal despejando milhões de reais disponíveis com apenas uma simples assinatura a muitos brasileiros, brasileiros estes que tinham como expectativa a compra e imediata valorização, não se prendendo a meros detalhes como o preço final após término da obra, nem mesmo com a grande quantidade de meses / anos para a quitação completa do financiamento.

Alberto começou a ficar conhecido na capital onde construía.

Alberto não teve dúvidas: Era hora de começar a construir prédios.


Prédios são empreendimentos que trazem maiores retornos com o melhor aproveitamento do lote, afinal, serão mais unidades construídas em comparação a construção de casas, mas, para isto, o capital a ser alocado é bem maior, e, mesmo com todo o capital que trouxe dos Estados Unidos, complementado dos lucros que havia obtido, ele calculou que precisaria de mais capital para a conclusão das obra, inicialmente prevista para um prédio de 4 andares, com 4 unidades por andar, totalizando 16 unidades.

A ideia dele foi bem simples: Ele começaria a construir o prédio e tentaria vender na planta, assim já levantando certo capital para complementar o que faltasse. Em geral cobra-se uma entrada de 20% do valor do imóvel, sendo o restante financiado por bancos, na maioria das vezes sendo a Caixa Econômica Federal.

Para o primeiro prédio, com muito esforço e usando ainda do abundante crédito no mercado e da farra da compra do imóvel na planta, com investidores comprando imóveis somente pagando a entrada e prestações, e duplicando seu dinheiro vendendo o imóvel ao término da obra, Alberto conseguiu todo o capital, e conseguiu entregar as suas primeiras 16 unidades.

Aqui começou também uma nova fase da vida de Alberto: O rapaz simples, que andava em carro econômico, agora, começou a se relacionar com gente importante, afinal, de simples pedreiro ele agora era grande empresário gerador de empregos, com isto o seu modo de vida simples começou a mudar ...



Pick-up do ano, de uma das marcas mais conhecidas, e um carro de passeio também zero KM foram uma de suas primeiras compras.

Mesmo sendo um construtor, apostou na compra financiada de um imóvel luxuoso, no melhor bairro da cidade, usando grande parte de todo seu capital acumulado para compra à vista de seu primeiro imóvel.

E começou a frequentar festas luxuosas em camarotes e a viajar mais frequentemente.

Trabalhar em suas obras? Não mais.

O terno passou a acompanha-lo, e decidiu alugar uma loja muito bem localizada no centro da cidade, para realizar a venda das unidades que construía, bem como para ser o novo escritório de sua famosa empresa.



Seus custos fixos subiram enormemente, e seu capital alocado para obras reduzido drasticamente com uma mudança tão grande de vida: De simples construtor a empresário de sucesso.

Não haveria problema, pois com o próximo empreendimento, ainda maior, ele teria um retorno muito grande e continuaria mantendo o ritmo alucinante de crescimento.

Por já não ter todo o capital disponível para começar a obra do início ao fim, de um prédio com mais andares, elevador, e nível mais luxuoso, não teve dúvidas: Recorreu a um vultuoso empréstimo num grande banco.

Foi recebido de portas abertas e um sorriso escancarado pelo gerente, e com pouco tempo já estava em sua conta empresarial a quantia necessária para construir o prédio, pagar o seu novo alto custo de vida, e logicamente, arcar com os juros, altos num primeiro momento, mas totalmente pagáveis diante da expectativa dos lucros e da venda imediata de suas unidades.

Mas, algo já rondava o mercado e ele não estava ciente: A crise imobiliária ...

...

[Continua na postagem de amanhã - Segunda às 17:30 - Já programada]

...

Um abraço e ótimo dia!



VDC – VIVER DE CONSTRUÇÃO

20 comentários:

  1. Buenas, VDC! Conheço vários Albertos, não só da construção civil. Paciência, né... cada um colhe o que planta.

    Também estou com uma historia quase pronta... Srta Maria Sem Serventia. Mas hoje resolvi postar sobre os Juros Futuros e os que espero nas ações e FIIs, a Maria vai ficar para a próxima semana.

    Um abraço!

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    1. Ola IV,

      Vou ler seu post, e este da srta Maria será interessante também.

      Acho que estas histórias sao legais de ler, estilo Doutor Honorarios e Seu Madruga.

      Como ficou grande postarei a segunda parte amanha.

      Abraco

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  2. Se deu errado... acontece. São os Albertos que movem o mundo.
    Espero a parte 2.

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    1. Olá CF,

      Neste ponto concordo, são os Albertos que geram empregos e arriscam empreendendo.

      O problema maior foi: Alavancagem ...

      Veremos amanhã na parte final (achei a história grande e dividi em 2 posts).

      Abraço

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  3. Interessante a história. Será boa pra mim que não manja muito de construção civil e gosta de investir em FII!

    Valeu

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    1. Olá MP,

      Sim, mostra um pouco o que fazem os construtores ...

      Neste teremos uma lição do que não fazer. Amanhã sai a parte 2 e final.

      Abraço

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  4. Olá VDC,

    Legal este tipo de história, no aguardo pela parte 2.

    Conheci uma cabelereira que morou 10 anos nos EUA, casou, separou e mandou dinheiro para o Brasil. A família não soube investir corretamente o dinheiro e ela teve que voltar ao EUA para trabalhar devido a esta crise econômica no Brasil(ela tem greencard). Não tenho mais notícias dela.

    Abraços.


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    1. Olá AF,

      Eu gosto de ler sobre histórias de empreendedores, não só aqueles que deram certo, mas gosto de aprender com os erros de quem tentou e não venceu também.

      Sorte dela ter green Card, pois se tivesse que arriscar a vida e pagar para ir ilegalmente, não teria mais condições econômicas caso tenha gastado tudo.

      Abraço

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  5. Ele foi inconsequente ao gastar um pedaço da riqueza que tinha para comprar bens materiais e ficar sem dinheiro para investimentos.

    Se ele tivesse se planejado anteriormente, poderia evitar comprar um apartamento caríssimo e, no lugar, pegar o capital livre e investi-lo nessa "mega construção".

    Por mais que empreendedores se arrisquem, os mais sábios chegam a guardar uma parte para caso tudo venha a dar errado. O Trump, por exemplo, é um dos que se arriscam ao empregar dinheiro em projetos ousados, algumas vezes ele tira de letra, outras, não – já perdeu alguns bilhões. Mas ele não arrisca todo o capital nos seus negócios. Assim como outros grandes empresários - o Eike ficou, quando faliu, ainda com algumas centenas de milhões de reais.

    Não é nada sábio jogar com tudo que se tem; pior ainda no caso do Alberto, que alavancou grana...


    Esperando a próxima parte...

    Abraço!



    Anderson

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    1. Olá Anderson,

      Sim, o otimismo exacerbado acarretou numa decisão tola de usar capital alheio, sendo que ele tinha o capital para seguir no ritmo que estava funcionando, sem luxos.

      Na vida devemos sempre arriscar de forma moderada, tendo sempre um ‘Plano B’ caso tudo dê errado.

      No caso de Alberto, o poder subiu a cabeça, e o desfecho veremos na parte 2 (final) de hoje, às 17:30.

      Um abraço

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  6. Oi VdC,
    Acho que o pecado do Alberto foi depender demais de financiamento.
    Se fosse chutar um desfecho, diria que ele não conseguiu vender imediatamente e os juros do empréstimo o quebrou.

    Abraço.

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    1. Olá KB,

      Um bom palpite ... Com esta história pretendo esclarecer o motivo de nunca ter alavancado em meus empreendimentos e ter dispendido vários anos juntando dinheiro antes da primeira obra.

      Abraço

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  7. Respostas
    1. Olá AA,

      Com certeza. Alavancar é na maioria das vezes ruim, exceto quando você consegue gerar juros maiores, mas, na maioria das vezes isto acaba em prejuízos e dívidas.

      Abraço

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  8. VDC,

    Orra sacanagem ... quando estava ficando animado com a história .. depois volto ai pra ler a continuação ... tá na moda trilogia .. rs ..

    Abs,

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    1. Olá Rodolfo,

      Achei a postagem muito grande, aí quebrei em dois pedaços.

      Para até que eu escrevo “textão” achar grande, é por que ficou mesmo rs.

      Às 17:30 esta programada o restante da história, onde veremos a importância de não alavancar.

      Abraço

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  9. Começo da história correto, mas a pessoa se perdeu pelo caminho. Ah, estraguei o final será??? Muito interessante é a leitura de SONHO GRANDE, uma lição a quem acredita que ganhar mais é sinal de gastar mais (acredito que a moral da história deve ser esta, não é?). Conta a historia de Jorge Paulo Lemann e seus associados, donos da AMbev, Burger King, Americanas, Budweiser...

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    1. Fala Guilherme,

      Sim, você acertou. Começa a ganhar mais nunca deve ser uma forma de começar a gastar mais, a conta no final não fechou, e na parte 2 expliquei o que ocorreu.

      Acabei de publicar a parte 2 e final.

      A propósito, comentei seu blog, não vi se aprovou, mas eu deixei mensagem lá.

      Abraço

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  10. Olá! Estou na fase de planejamento de obra de construção da minha casa. Em uma construção de residência com financiamento pela CAIXA Econômica Federal em 6 meses, posso afirmar que a liberação é de entorno de 30% no dois primeiros meses e 10 % nos quatros últimos? Se não, qual o percentual do total liberado? Já peguei alguns orçamentos, mas ninguém passou o percentual em média por mês.

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    1. Olá amigo,

      Leia este blog que tem bastante coisa sobre: http://nossacasa2013.blogspot.com.br/

      Um abraço

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Obrigado pela presença! Aprovarei rapidamente seu comentário e responderei brevemente! Grande abraço, VDC - Viver de Construção

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